3 erros que tornam sua produção de conteúdo medíocre

Tem um cara, que aqui vou chamar de Ricardo, que tem uma loja de roupas masculinas no Instagram. Ele decidiu criar um blog de moda masculina quando leu sobre o sucesso que as empresas estão tendo com o marketing de conteúdo. Pra tirar uma grana a mais, agora ele produz conteúdo por conta própria e divulga na página do Instagram.

No entanto, Ricardo percebeu que muitas pessoas veem seus posts divulgando os textos, mas poucas se interessam nos textos ou clicam nos links. E eu resolvi investigar o porquê.

73% dos entrevistados na Content Trends 2018 adota a estratégia de marketing de conteúdo. Por isso, não é novidade pra ninguém que, hoje mais do que nunca, publicar textos regularmente sobre o mercado em que seu negócio atua e os produtos que você vende é uma ótima forma de aumentar seus lucros e gerar autoridade.

Mas você, como tantos outros, pode estar fazendo isso errado esquecendo de três coisinhas. O Ricardo tem errado na estratégia da loja dele. Para mostrar como transformar blocos de texto inúteis em artigos que vendem, resolvi elencar os três principais erros na produção de conteúdo.

1# Seu texto não desperta emoção nenhuma além da preguiça

  • “5 dicas de SEO para aumentar suas visualizações”
  • “Tudo que você precisa aprender sobre gatilhos mentais”
  • “Manual definitivo para seu blog rankear nos mecanismos de busca”
  • “10 formas de deixar seu texto mais escaneável”

Você já deve ter lido coisas desse tipo por aí. Inclusive, são muito úteis. Mas as pessoas ávidas por produzir conteúdo pra web podem acabar não percebendo que o que engaja é a emoção.

Não podemos escrever um texto impessoal, por mais útil que ele nos seja. Até poucos anos atrás o blog era visto como sucessor dos diários pessoais e da epistolografia. Então você não pode deixar seu artigo pra blog virar um texto técnico digno de manual de geladeira.

Um dos meus melhores e mais populares textos foi o “Qualquer texto é menor que a vida de qualquer pessoa”.

Não escrevi ele pensando em SEO nem escaneabilidade (não tem intertítulos; eu uso, como na maioria dos meus textos no Medium, tópicos numéricos: 1, 2, 3 etc.). Não escrevi pensando nos gatilhos mentais nem fiz dezenas de parágrafos de uma linha só pra engajar leitores preguiçosos.

O texto consiste em uma coisa: o artigo emocionado de um fã que ficou triste com a morte do Belchior, um ano antes.

Por que o texto fez sucesso? Duas coisas:

  1. Existem outros milhares fãs emocionados como eu.
  2. O texto foi lançado no aniversário de um ano da morte do Belchior, quando seus fãs estavam falando sobre o assunto.

Como você coloca emoção nos seus textos? Você precisa fazer o leitor chorar em tudo que escreve?

A não ser que seus leitores sejam muito sensíveis, essa não é a ideia.

A ideia é fazer com que eles se envolvam com o conteúdo por meio de emoções que sentem. Essas emoções podem ser dores, por exemplo:

  • “Meu negócio não vai pra frente”;
  • “Não consigo resultados com meus textos”;
  • “O marketing de conteúdo não funciona pra mim”.

Essa decepção e confusão com o que você está fazendo serviu pra que você se interessasse pelo meu texto.

O Ricardo, pra vender suas roupas, dará ao leitor emoções diferentes: pertencimento gerado pelas roupas que vende; autoestima por se vestir bem.

Pra suscitar a curiosidade e levar ao resultado, pode chamar atenção com emoções negativas que atingem sua persona: sensação de que está se vestindo mal; sentimento de que suas roupas não combinam; impressão de que suas roupas estão ultrapassadas, assim como seu estilo.

Seus leitores devem se identificar com as emoções transmitidas pelo seu texto, sejam elas quais forem. É essa cumplicidade — de “eu sei o que você tá passando, cara” — que faz teu texto ser lido e compartilhado.

2# A sua linguagem não é a mesma linguagem do seu público

Antes de iniciar uma estratégia de marketing de conteúdo é bom você ter bem em mente com quem você quer falar. Quando souber quem é sua persona, você precisa entender a linguagem que ela usa.

É normal que, inserido em um nicho de mercado, você use os jargões da sua área. O problema é que, às vezes, seu público não entende as expressões que você costuma usar — ainda.

No caso do Ricardo, descobri que suas roupas têm como público alvo homens com idade entre 16 e 25 anos.

O problema é que o tom de seus artigos é sério demais. No lugar dessa linguagem, ele deveria entender melhor como os jovens se comunicam na internet, os memes que usam, os vídeos que fazem seu público rir, quais influenciadores digitais eles seguem e como estes se vestem.

Gretchen confusa
Eu tentando entender as empresas colocando GIF da Gretchen em tudo.

Em outros casos, uma empresa com público alvo um pouco mais velho acaba tendo uma ânsia incessante de usar memes da Gretchen em todos os seus posts, porque é isso que a internet faz hoje e a Netflix faz sucesso nas redes assim. E isso acaba afastando seus clientes, que estão assistindo vídeos do Pedro Superti e, nas horas vagas, vendo vídeos do Choque de Cultura pra rir um pouco.

O erro que não pode ser cometido é o de usar uma linguagem que não é usada pelo público que você quer atingir. Se você cometer esse erro, você vai gastar toda a sua verba com anúncios inúteis, enquanto poderia estar investindo em livros legais sobre marketing digital que você nunca vai ler.

3# Seu conteúdo não acrescenta nada de útil que já não tenha sido dito quinhentas vezes pela concorrência

Não adianta usar uma linguagem descolada igual à do seu público e fazer ele chorar com o título se o teu conteúdo é menos relevante que um tweet de 280 caracteres.

Eu cansei de ver conteúdos repetindo a mesma palavra-chave ad infinitum no texto inteiro. Quinze, vinte vezes a mesma expressão, só pra ganhar posições no ranking do Google. E, não bastando repetir as palavras-chave, esses redatores exemplares repetem as mesmas informações diversas vezes até o leitor não aguentar mais e vomitar com tanta mediocridade.

Segredinho, não conta pra ninguém: o melhor que um conteúdo pode oferecer é — PASME — conteúdo. Relevância. Utilidade.

E o tio Google gosta disso.

Antes de escrever um conteúdo, busque referências. Pesquise no Google quais outros textos falam sobre o assunto. Vá além da primeira página da Google, vá além dos mecanismos de busca, corra atrás de referências em livros, em filmes, busque insights.

As empresas precisam pensar menos na quantidade de informações que usam pra bombardear o consumidor e pensar mais nas transformações causadas pelo que produzem.

E assim somos levados ao último ponto.

Construindo um post que chame atenção

Com esses três pontos que vimos, você terá um conteúdo de sucesso. A partir daí sua tarefa é transmitir em um post no Facebook ou no Instagram esse valor que o texto tem.

E para isso você usa os mesmos três princípios:

  1. Mostrando na chamada uma emoção que seu leitor também sente
  2. Usando na chamada a linguagem que seu público usa
  3. Revelando na chamada a relevância que seu texto tem

Os erros na produção de conteúdo vão sendo descobertos com o tempo e acontecem em qualquer estratégia, até nas mais clássicas. Mas, se você alinhar seu conteúdo com esses princípios, fica mais fácil construir títulos e chamadas nas redes sociais para que as pessoas se interessem, leiam e interajam com seus textos. Principalmente se seus textos também se valem dos mesmos princípios de atração.

E, por mais que às vezes o bloqueio criativo vá te perturbar, eu afirmo que é possível sim criar conteúdo relevante com regularidade. É por isso que escrevi um texto no Medium falando sobre a falta de criatividade. Então já dá aquela olhadinha: Driblando o bloqueio criativo como Ronaldinho Gaúcho.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *