10 dicas pra escrever textos e parar de jogá-los no lixo

Eu sei exatamente como é querer — PRECISAR — escrever um texto e não saber nem por onde começar. Sabe aquela sensação de ter uma ótima ideia, mas não saber o que fazer com ela? Ou aquele sentimento de gastar duas horas escrevendo alguma coisa e jogar tudo no lixo por achar uma porcaria?

Pois é. Eu passei muito por isso (e a segunda situação ainda acontece às vezes).

É por isso que achei justo compartilhar algumas coisas que aprendi nesses mais de quatro anos produzindo conteúdo.

As primeiras três dicas são básicas, que são sine qua non pra qualquer redator, e as sete outras dicas você não vê muito por aí. Se você 1) sabe usar os quatro porquês, 2) leu mais de seis livros esse ano e 3) tem uma rotina de escrever profissionalmente todos os dias com muito foco, as três primeiras dicas não serão tão interessantes. Nesse caso, você já tá no caminho certo.

Mas, se você tá a fim de saber como um bom texto é estruturado, continue lendo até o fim. Assim, você já estará aplicando a dica #10.

As 3 dicas essenciais pra quem escreve

1# Leia muita gramática

Conhecer as regras gramaticais não é “bom”. É ESSENCIAL. E eu fico muito angustiado de precisar dizer isso em pleno 2018, mas um redator que não domina a própria língua deveria estar em outra profissão.

Mas o que pode te ajudar a melhorar sua gramática? Três coisas que eu faço:

Se eu tenho uma dúvida, pesquiso no Google. E é bom que você tenha várias dúvidas.

“Pera, é porque ou porquê?” Vai lá no Google e pesquisa: “porquê ou porque”. Não guarda essa dúvida pra si.

Se você conhece alguém que manja da gramática, não tenha vergonha de perguntar.

E, por último, a terceira coisa que eu faço pra manjar de gramática está na próxima dica:

2# Leia um livro por mês

Esse “um” é só ilustrativo. Você pode ler mais, óbvio. Mas ler bastante é essencial pra saber escrever textos e pra entender de gramática.

É lendo um livro — que foi revisado gramaticalmente — que você começa a perceber como os autores profissionais escrevem. É com os livros que você vai entender o que já foi feito e o que ainda não foi, para você dizer o que as pessoas não dizem. Mas sobre esse último ponto falo especificamente na dica #7.

Além de se esforçar para ler livros, sugiro que você leia muitas coisas da sua área. Por exemplo, se você quer escrever pra web, leia muitos blogs — muitos mesmo, muitos artigos, muitos ebooks. Se quer escrever ficção, leia muitos livros de ficção. Se quer escrever pra jornal, leia muito jornal (alguém ainda lê jornal?).

E, pra finalizar as dicas com algo essencial, a terceira coisa que você já devia estar fazendo:

3# Escreva bastante — mesmo que seja pra jogar no lixo

Tentativa e erro. Você vai ficar impressionado se aplicar a escrita sem julgamentos.

Como assim?

No livro O jogo interior de tênis, do Gallwey, ele fala como o processo de fazer coisas enquanto se julga é prejudicial. Sabe aquela voz que sempre tá te dizendo “isso, vai lá, você é um gênio, você não recebe o reconhecimento que merece” ou “PARA DE ESCREVER, você é um bosta, que texto inútil”?

A partir do momento que você consegue desativar essa voz interior, as coisas vão começar a fluir de verdade. E, por menor que seja o julgamento que você dá a si, saiba que ele te atrapalha. Acaba com o teu foco. Mesmo que seja um simples “esse texto não tá prestando, melhor apagar”.

Escrever se julgando aumenta a probabilidade de você começar vários projetos e nunca terminar porcaria nenhuma.

Então só senta e escreve. Ou escreva em pé mesmo. Mas escreva o máximo que você puder — é como um esporte. Depois que você escrever, vai lá e revisa uma, duas, três vezes.

É na revisão que você vai entender a utilidade ou irrelevância do seu texto. E muito mais que isso: é na revisão que você vai perceber no que você acertou e onde você pode melhorar.

Mas, até agora, te mostrei três coisas que você PRECISA. Sem isso, você não é redator nem escritor nem jornalista nem nada. Você precisa manjar de gramática, precisa ler mais que presidiário e precisa escrever igual um aluno com TCC atrasado.

Com isso, você já é um bom redator. Então vamos pras dicas avançadas porque você merece:

+7 dicas pra escrever textos que você não vê por aí

#4 Divida qualquer coisa em tópicos

Esse texto aqui já está naturalmente dividido em tópicos, pra deixar fácil pra você que lê só os intertítulos e perde a parte mais importante.

Mesmo em textos sem tópicos como esse outro aqui e a maioria dos que escrevo sobre literatura, eu me organizo assim:

  • Escrevo o título ou tema do que quero desenvolver
  • Escrevo os tópicos que quero abordar entre colchetes
  • Escrevo o conteúdo de cada tópico separadamente e vou interligando

Isso funciona pra tudo. Mesmo pra contos e textos ficcionais. Se liga só num exemplo, de um texto pretendo escrever pro LinkedIn mas tá só no esboço:

Dividindo em tópicos
Dividindo o texto em tópicos. Um dia quando esse texto ficar pronto eu coloco o link aqui.

Sacou?

Quando o texto é jornalístico ou pra blog, isso fica ainda mais importante. As pessoas estão apressadas e preguiçosas demais pra você cansá-las com blocos de texto enormes. Sem dividir em tópicos, talvez você não receba nem atenção.

Nesse caso, pra que tu escreve?

5# Sua linguagem deve levar em conta quem lê

Fiz um texto com três erros fatais que produtores de conteúdo cometem. Nesse texto expus esse problema: não saber adaptar a linguagem ao seu público.

Você vai escrever um texto pra advogados usando a linguagem que tu conversa no bar com teu amigo, brother? Não faz nem sentido.

Então, antes de escrever, faça o máximo possível pra conhecer bem o público ao qual você se dirige. Não é uma ciência exata — mas é uma ciência. Não adianta nada você redigir um peça literária demonstrando com prolixidade seu domínio sobre assunto e linguagem escrita e cujo léxico seja excessivamente formal se seu interlocutor não identificar-se-á com vosso vocabulário.

FACILITA, APRENDIZ. Facilita. E lembra que o jeito que você fala, por mais normal que você ache, não é necessariamente o jeito que seu público fala. Talvez você seja mais instruído ou mais metido, justamente por escrever e ler muito. Mas e se seu leitor não é?

Esse erro fatal ACABA com seu texto. Faz ele não servir pra bosta nenhuma, por mais relevante ou bem embasado que seja.

No livro O romancista ingênuo e o sentimental, o Orhan Pamuk, que ganhou o prêmio Nobel de Literatura, disse: “O paradoxo central da arte do romance é a maneira como o romancista luta para expressar sua visão pessoal do mundo no mesmo passo em que enxerga o mundo por olhos alheios”.

Isso serve pra qualquer categoria de texto. Você precisa ao mesmo tempo falar algo com que seus leitores se identifiquem — a linguagem deles, os olhos alheios — e algo que eles nunca tenham escutado ou lido (dica #7, lembra? Calma aí).

É só entendendo e falando a linguagem do seu leitor que você consegue aplicar a próxima dica:

6# Cause emoções em quem lê

Quando abordei esse assunto mencionei meu artigo “Qualquer texto é menor que a vida de qualquer pessoa”, que fiz em homenagem ao cantor Belchior.

Os comentários que recebi de pessoas que se emocionaram com o que eu disse, que se identificaram com o que eu falei e que gostaram da maneira como abordei o assunto valeram a pena o tempo que dispendi escrevendo. Não só esse artigo, mas qualquer outro.

Com isso, eu revi o objetivo e o propósito da minha escrita. Eu percebi que queria — e devia — mexer com as emoções das pessoas, e que essa seria minha prioridade (não sempre, não vou ser hipócrita).

Porque, como se prova naquela clássica cena de Mad Men em que Don Draper vende o Carrossel da Kodak, emoção vende MUITO FÁCIL. Se você aciona alguma emoção do leitor (seja felicidade, raiva, consolo, nojo, euforia, medo), você praticamente ganhou a atenção dele. E é a partir daí que você passa sua mensagem.

A emoção mais básica que você pode gerar é a curiosidade. Um título que cause curiosidade funciona em todos os casos e deve ser prioridade.

O primeiro parágrafo do seu texto pode expor uma situação preocupante pela qual o leitor está passando, causando medo. E isso faz ele continuar lendo.

A dica é: estude as emoções. Preste atenção nos seus próprios sentimentos. Qual sensação faz você ler um texto até o final? Preocupação? Raiva? Positividade? E como você pode usar isso de acordo com o tema sobre o qual escreve?

Sabendo as emoções que quer suscitar, fica mais fácil preparar um conteúdo que seja relevante. Mas você pode acabar fazendo isso errado, criando textos que só servem pra preencher espaço no seu Google Drive. Então vamos lá:

7# Foque na relevância e diga o que ninguém diz

No outro texto em que dei essa dica fui um pouco mais agressivo: 3 ERROS QUE TORNAM SUA PRODUÇÃO DE CONTEÚDO MEDÍOCRE

Você pode, sim, escrever o que todo mundo já escreveu. É o caminho mais fácil. Aí você dá aquela olhada no que já escreveram sobre o mesmo tema, copia, dá uma floreada, muda a ordem das frases e substitui palavras por sinônimos.

Pode até ser um bom conteúdo, mas dessa forma você tá dizendo o que todo mundo já disse.

Mesmo que você crie do zero, se você escreve um conteúdo comum, como esse que estou escrevendo, fica muito fácil esbarrar e copiar (inconscientemente) o que outros disseram. Então como fugir disso?

Antes de escrever sobre um tema, pesquise o máximo possível sobre o que outros já disseram sobre. Dessa forma, você vai ter controle sobre o que foi dito e sobre o que não foi, ou que não foi bem elaborado. Monte sua escrita a partir daí.

Se for impossível não esbarrar no que outros disseram (igual nas minhas primeiras dicas), dê um tom pessoal pro que você diz. Coloque referências suas, conte aquelas suas histórias de adolescência que só você tem. É impossível alguém ter exatamente as suas referências, as suas vivências, as suas visões de mundo.

Isso, por si só, faz com que seu texto seja distinto.

Mas, além disso, você deve focar na relevância. Ou seja, se seu texto se propõe a responder uma pergunta, responda essa questão e não deixe o leitor com dúvidas sobre ela. Isso é relevância.

8# Escreva pensando no seu leitor

DICA REPETIDA, KALEW? EU SABIA QUE VOCÊ NÃO ERA TÃO ÚTIL ASSIM! COPIANDO A SI MESMO, QUE VEXAME!

Não, não, não. Calma lá. Eu falei antes sobre linguagem. Aqui eu tô falando de pensar no leitor numa forma mais profunda.

Pensar no leitor vai além da linguagem.

Se for um blog post: qual é a dúvida que seu leitor tem? O que ele tá acostumado a ouvir? Quais são as dores dele? Como você pode solucionar o problema que ele tem? Ele precisa de massagem nas costas, carinho na cabeça ou chute na costela pra acordar pra vida?

(Este blog não apoia a violência. Nenhum redator foi ferido durante a escrita deste texto.)

Você só consegue fazer uma estratégia de conteúdo pensando em quem quer atingir.

Mas, se você não tá fazendo uma estratégia pra vender nada, só quer escrever melhor, sigamos pra dica que facilita todas as outras:

9# Leia como um escritor

Já falei da importância da leitura, já caguei regra te dizendo pra ler no mínimo um livro por mês. Mas aqui entra a parte mais importante:

Leia como escritor.

Um escritor não lê por ler. Quem tem o costume de escrever profissionalmente adquire o hábito de ler de forma diferente. O escritor presta atenção à gramática do que lê, à forma como o autor se expressou, às palavras que ele usou.

Muitas vezes me pego corrigindo mentalmente o que leio, pois teria escrito de outra forma.

Quando você sabe ler como escritor, fica muito mais fácil escrever e, principalmente, revisar o que você escreve. Você adquire o poder de fazer uma leitura com olhos alheios do seu texto, saca?

E assim vamos focar na última dica:

10# Preste atenção na estrutura de tudo que você lê

Quero que você preste atenção na estrutura de todos os artigos, matérias, contos, bulas de remédio que você ler.
Inclusive desse texto.

Se você prestar atenção na estrutura de um conteúdo de sucesso, você vai conseguir desconstruir o artigo e tirar lições disso. Sejam exemplos negativos ou positivos.

Por que um conteúdo deu certo? Por que deu errado? O que há na estrutura dele? Será que é massante demais? Será que é descontraído e raso além da conta?

De forma simples, vamos ver esse meu texto:

Na introdução, tentei mostrar uma dor. A dor de não saber direito como escrever um texto. É pra acabar com a situação da introdução que o texto existe.

Pra te envolver, usei a emoção. Porque se você clicou nesse texto, é porque você quer aprender a escrever melhor. Então você com certeza já passou ou passa pela situação que eu descrevi.

Nós temos isso em comum.

Em seguida, prometi que resolveria teu problema (espero ter resolvido e te dado um rumo. Se falhei, pode reclamar nos comentários ou me mandar um email, belê?).

Pra resolver seu problema e facilitar sua leitura, resolvi dividir o texto em dez dicas. As três primeiras são as mais básicas e você já ouviu elas diversas vezes. As outras sete são pra você sair do básico e aprender o que eu, um cara que produz conteúdo igual loco, sei. (Que não é tanto, mas é suficiente pra ajudar quem tá começando ou tentando engrenar.)

Pra finalizar, recapitulei tudo que eu fiz, mostrando que é simples e que você obviamente também consegue. Se tiver dificuldade, deixo aqui a garantia de que tô disponível pra te ajudar.

Pra ficar ligado nas atualizações aqui e em mais artigos sobre produção de conteúdo e sobre como escrever textos relevantes, assina minha newsletter aí. Também odeio spam e também odeio gente fazendo propaganda a todo custo. Então relaxa.

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