Ninguém gosta dos seus anúncios

Quantos anúncios você já ignorou hoje? Quantos cinco segundos de propaganda chata da Empiricus você já pulou essa semana no YouTube? Seu AdBlock tá ligado?

Esse lance de que “somos bombardeados por anúncios” o tempo inteiro já deixou de ser novidade nos anos 60. Você já sabe, como consumidor, que isso é muito chato.

Mas, se sua marca vende pros consumidores (dã), por que o marketing da interrupção continua sendo usado? Por que insistir em algo que as pessoas odeiam?

Mais importante: isso dá retorno?

Beleza, eu sei que você precisa pagar suas contas, e eu também. E sei, como você, que o alcance orgânico do Facebook tá uma bosta. Ô SE SEI, CARA.

Só que existe uma solução.

Mas antes vamos entender um pouquinho melhor do que chamo aqui de marketing de interrupção. Depois, vou mostrar que há sim uma solução, mesmo que o alcance orgânico esteja morto.

O que é marketing de interrupção?

Marketing de interrupção é todo tipo de propaganda que, além de não solicitada, te alcança em um momento inoportuno. É todo tipo de propaganda irritante.

Vou dar exemplos.

Televisão

Era 2004. Você ligou na Globo pra assistir a Sessão da Tarde. A Lagoa Azul.

Num momento muito importante do filme, você o viu ser subitamente interrompido para dar lugar a… uma propaganda das Casas Bahia.

Que raiva.

E isso ficou pior ainda na Rede TV, onde em vez das Casas Bahia você viu uma garrafa de refrigerante antropomorfizada num 3D bizarro chamada DOLLYNHO, SEU AMIGUINHO.

E você pediu por essas propagandas? ÓBVIO que não. Elas te interromperam.

E não só na TV.

Calçada

Irritado com as propagandas televisivas, você saiu pra andar pela calçada da sua cidade. Gente bonita, simpática, lojas interessantes que ca pturam seus olhos.

Até que você foi interrompido por um antipático adolescente com um pedaço de papel na mão. Ele insistiu que você pegasse o panfleto pra que ele pudesse ir pra casa assistir desenhos.

Parabéns, você foi interrompido de novo.

E também não foi só na calçada.

Internet

Você achou que ia se safar na internet?

Não. Porque você clica em um blog de seu interesse e é obrigado a desbravar pelo meio de 25 pop-ups de emagrecimento e eletrônicos.

Isso é o marketing de interrupção.

Mas pera… Se ele é usado há tanto tempo, é porque funciona, certo?

Certo. PORÉM:

Anúncios funcionam — mas são uma bosta

É óbvio que o marketing chato funciona. Eles alcançam muita gente, fazem muita gente comprar, enriquecem os empresários. E o melhor: os resultados são muito rápidos.

Mas a que custo?

Eu, você e seu cliente não temos tempo pra sermos interrompidos. Se eu te interromper, sua primeira impressão sobre mim é de que eu sou um chato. Você não quer comprar de gente chata e não tá nem aí se minha empresa vai falir.

Mas, se não tiver ficado óbvio o suficiente, aqui vão alguns motivos sólidos:

Por que o marketing de interrupção é tão ruim?

1. É assédio comercial

Imagine que você esteja andando pela calçada e acaba tendo um impedimento ao andar.

Não, não é um panfleto. É um homem (sem panfletos na mão).

Um homem que você nunca viu na vida.

Ele se ajoelha na sua frente, ergue os olhos na sua direção, abre uma caixinha e diz: “Casa comigo.”

O que você faz? Aceita e vai direto pro cartório? Ou chama ele de retardado e simplesmente vai embora?

Se você quer casar com alguém, pelo menos chame essa pessoa pra jantar antes, poxa. Sair pedindo em casamento não vai te levar ao matrimônio.

Já falei disso aqui num texto sobre neurociência, mas repito: sua empresa não pode pedir os outros em casamento de cara. Chama pra um café antes, flerta um pouco, pede em namoro. Pensa no casamento depois.

E, como todo assédio, o resultado não poderia ser outro:

2. Por ser assédio, é evitado

Esse estilo de marketing funcionava na época que você não tinha escolha.

Se você queria assistir sua novela e tinha um anúncio, que opção você tinha? Nenhuma. Você precisava esperar. (A menos que tivesse TV a cabo, que de certa forma é um refúgio, mas nem sempre.)

Mas, hoje, com a internet, todo mundo tem opção. Qualquer um pode instalar o AdBlock. Se eu entro em um site abarrotado de anúncios, eu simplesmente saio e busco informações em outro canto.

E, mesmo que eu veja um anúncio, é da minha natureza ignorá-lo.

Mas calma. Continua me acompanhando que já tô quase chegando no meu ponto:

3. Por ser evitado, é ineficaz

Você pode até achar que é impossível fugir dele. E eu entendo que se sinta afugentado pelo cenário que às vezes parece caótico.

O Facebook vem cortando gradualmente o alcance orgânico das páginas. Hoje você não consegue trabalhar só com isso, sendo obrigado a pagar se quiser converter alguma venda.

Há quem diga por aí, inclusive, que o alcance orgânico está morto.

Mas e se eu te contar que talvez os seus anúncios, que parecem tão mais lucrativos, na verdade estão te fazendo perder dinheiro pela inutilidade?

Por mais que os resultados sejam rápidos e esse pareça ser o caminho mais fácil (pra você), deixa eu falar uma coisa: eu nunca cliquei em um anúncio do Google por querer.

Cada clique no AdSense custa caro pro anunciante. Talvez cerca de um real, digamos (varia de acordo com a palavra-chave).

E eu nunca cliquei por querer. Todos os meus cliques prejudicaram o anunciante, porque não serviram pra nada. Inclusive, quando era criança, achava que anúncios eram vírus. Meu cérebro tá treinado pra ignorar aquela porcaria toda. E a maioria das pessoas não gosta de pop-ups pululando na tela.

Então acaba que seu dinheiro vai ser gasto em cliques acidentais, assim como seus panfletos também vão contribuir pra sujeira na cidade. E, se converter uma venda ou outra, deixa eu cortar tuas asas: você poderia converter muito mais se investisse nos lugares certos.

E garanto que tem como vender na internet sem ser chato. E é disso que vou falar agora:

Como fugir do assédio comercial e pagar as contas?

1. Aprenda a ser legal

Por mais que os anúncios no Facebook sejam inevitáveis (eu volta e meia faço um pra impulsionar algo), você precisa entender isso: anúncios não são bem vindos.

E, se você precisa fazer um, então que reduza a chatice ao máximo sendo legal.

Eu, por exemplo, costumo impulsionar publicações no Facebook pra divulgar materiais gratuitos (que me dão leads que, depois, me dão dinheiro).

O problema de um panfleto é que ele mostra o valor pra empresa, não pro consumidor. Sempre a mesma coisa: “VENHA PRA INAUGURAÇÃO DA LOJA”. Que que eu tenho a ver com a inauguração da tua loja? Não tô nem aí.

O melhor anúncio é aquele que não parece um anúncio. E, se há um valor pro consumidor, então foque nele.

Por isso uso materiais gratuitos: é um valor que eu ofereço pra galera sem cobrar nada (só o e-mail). E esse é o próximo ponto:

2. Crie material gratuito

Esse é o papel do material gratuito: entregar valor pro futuro cliente sem ser invasivo. Você não está cobrando dinheiro nem importunando ele, você está oferecendo ajuda.

Após dar algo de graça (flertar) pro seu futuro cliente, vocês iniciam um relacionamento (namoro). E o objetivo desse relacionamento, obviamente, é gerar venda (casamento). Mas já vamos chegar lá.

Só quero que entenda que é uma relação de reciprocidade.

3. Gere relacionamento

Conforme eu disse, ao consumir um material gratuito o futuro cliente inicia um relacionamento. Em troca, é provável que você peça a ele o email ou uma forma de contato.

Por email, você vai entregar mais conteúdo e gerar mais relacionamento.

Quando você dispara uma propaganda pra todos os contatos do seu WhatsApp, você está sendo invasivo. Por quê? Porque eles não pediram isso.

Mas, quando a pessoa entrega o contato dela, ela demonstra que quer. E a sua oferta vai ser coerente com a vontade dela:

Se ela pegou um material gratuito sobre marketing de conteúdo, ela quer saber sobre isso. Quando você, futuramente, divulgar seu curso de marketing de conteúdo, não vai ser invasão. Você terá a permissão da pessoa e um bom relacionamento com ela, entende?

E isso tem nome.

4. Invista no marketing de conteúdo

Chegamos à solução da sua vida. O marketing de conteúdo (que eu brinco dizendo que é o marketing do bem) é assim: você entrega conteúdo de valor para construir um relacionamento com uma pessoa, para ir ajudando ela até que ela esteja preparada pra comprar de você.

É assim que se faz marketing sem ser um chato. Fuja do marketing de interrupção. Garanto que vale a pena.

E, se você curtiu esse texto, sugiro que leia esse outro onde eu explico um pouquinho melhor como funciona esse lance de conteúdo e marketing: O que é produção de conteúdo para web?

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