Pessoas interessantes criam conteúdo interessante – e vice-versa

1.

Embora eu não seja famoso, muitos aspirantes a escritor, por alguma razão, sentem que devem submeter seus textos pra minha análise. Ser escritor famoso deve ser uma bosta – imagina lidar com isso todo dia.

O fato é que eu odeio quando alguém diz “lê meu texto aí”. Se eu não pedi pra ler teu texto depois de você dizer que escreve, eu não vou querer ler nunca.

E isso por uma razão que quero explicar nesse textinho curto: pessoas interessantes escrevem textos interessantes.

2.

O primeiro passo pra produzir conteúdo é ter conteúdo.

Pra mim, o papo de uma pessoa é indicativo da qualidade dos textos dela – ou, se não da qualidade, pelo menos do conteúdo, porque conheço muita gente com tanto pra dizer, mas que não lida bem com gramática nem com a concatenação lógica de informações.

Se você não gosta do conteúdo dos meus textos, provavelmente não vai gostar de sentar num bar comigo pra conversar. Eu sou esse aqui. Com exceção das poesias, meus textos no geral expressam opiniões e visões de mundo que eu expresso (bem mais) no dia a dia, com amigos e pessoas próximas.

Quando um escritor completamente desconhecido chega em mim no Direct do Instagram com um papo sem pé nem cabeça, sem nem me cumprimentar, sem me transmitir ideia alguma e geralmente com uma gramática porca, eu infelizmente me sinto impelido a ignorá-lo quando diz “eu também escrevo”.

Mas, quando a pessoa chega com um papo massa e eu acho a pessoa interessante, o momento que ela diz “eu escrev…” eu já tô tipo “MEU DEUS, CADÊ O TEXTO, ME MANDA”.

3.

“Ah, Kalew, mas tem gente que tem muito conteúdo, mas não sabe conversar!”

Lembrando que tô falando de uma conversa POR ESCRITO. Se a pessoa sabe se expressar com letras, palavras e períodos, conversar não é nada extraordinário.

É bom ver as mensagens curtas nas redes sociais como uma garantia, pro leitor, de que não vai perder tempo lendo um texto inteiro teu.

Essa é a vantagem de não nos comunicarmos mais por cartas.

4.

Quem me conhece sabe disso. Eu não sou falso e sou sincero quanto ao meu interesse e quanto às minhas impressões sobre os escritos alheios. E sabe também que quando eu leio um bom texto eu faço o possível pra que a pessoa tenha mais alcance, pra que ela dê os próximos passos na produção de conteúdo, mesmo que esse caminho também seja misterioso pra mim.

Mas infelizmente não posso fingir que tô interessado no texto da pessoa desinteressante.

Eu sei que todo escritor minimamente competente sofre com isso – as pessoas te admiram e logo querem saber o que você acha delas.

Se você não troca ideia comigo e quer que eu te siga do nada e leia seus textos, não precisa nem perder tempo: eu te acho chato.

Leio teu texto? Normalmente sim, porque sou gente boa e não sei dizer não. Mas vou ler sabendo que é ruim. E é difícil a primeira impressão estar errada.

O que eu faço nesses casos?

Bom, eu tenho uma política estrita de críticas construtivas. Mas isso é assunto pra outro texto.

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